“Às vezes paro pra pensar como seria se outra pessoa estivesse em meu lugar. Será que essa pessoa aguentaria tantos sofrimentos e ser forte, escondendo de todos tudo que passa? Ter vontade de chorar oceanos de lágrimas e conseguir se conter? Talvez sim, talvez não. Mas de uma única coisa eu sei, essa pessoa não iria conseguir conter seu sofrimento pra sempre, pois até eu às vezes esqueço de ser forte e desabo.
“Meu coração é meio bobo. Me chame de princesa, que eu derreto. Me chame de pequena, que eu me apaixono. Me chama de querida, que eu adoro. Me chama de anjo, que eu cuidarei de você como um. Me chama de doce, e adoçarei a sua vida. Me chame de amor, e eu vou te amar. Me chame de linda, que eu tentarei fazer da sua vida mais bonita. Me chama de sua Julieta, e você será meu Romeu. Me chama de bebe, e eu deixarei que você cuide de mim. Mas me chame de minha, e eu serei somente sua.
“– Sabe – ela me interrompe – … Se você pudesse me resumir em uma palavra, qual seria?
– Encrenca.
– Não, sério.
– Nunca falei tão sério.
“Eu preciso muito muito de você, eu quero muito, muito você aqui de vez em quando, nem que seja muito de vez em quando… você nem precisa trazer maçãs, nem perguntar se estou melhor, você não precisa trazer nada, só você mesmo, você nem precisa dizer alguma coisa no telefone, basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio, juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha, ou do outro lado da porta, ou do outro lado do muro. Mas eu preciso muito muito de você.
“— Alô?
— Oi.
— Oi.
— Está tudo bem?
— Está sim.
— Aconteceu alguma coisa?
— … Acho que não.
— São duas da manhã amor, tô com sono, o que você quer?
— Quero você.
— Também sinto sua falta.
— Eu sinto mais.
— Eu sinto muito.
— Sente muito pelo que?
— Por você.
— Por mim?
— É… Sinto muita saudade, muito carinho, muito amor, muita saudade, muito amor, muita saudade…
— Tá repetindo.
— O que?
— Saudade, amor, saudade, amor — ele sorriu — Você já tinha falado.
— Eu sei, mas é que como eu sinto muita saudade e muito amor se eu falar só uma vez não adianta.
— Vai dormir pequena.
— Saudade, amor, saudade, amor… Ei, ainda ta ai?
— Tô.
— Eu te amo, tá?
— Também te amo!
— Desculpa te acordar…
— Tudo bem, eu já entendi, saudade, amor, saudade, amor… Eu também sinto muito.
Do outro lado da linha ela sorriu, ambos desligaram.
“Ver o nome da pessoa no celular e sentir um choque gelado que vai da planta do pé até a ponta mais dupla do cabelo.